SOLIDARIEDADE A CUSTO ZERO

 

Solidariedade a custo zero

tempo, melhor presente

SOLIDARIEDADE A CUSTO ZERO

Na correria do dia, entre um compromisso e outro, encontrei por acaso, Dona Leia. Uma pessoa que conheco há vinte anos, e com quem troquei somente palavras de salas de espera de consutório médico.

Uma vida dedicada `a servir e `a cumprir suas obrigações de mãe, avó, esposa, e mulher trabalhadeira.

Dona Leila, é aquele tipo de pessoa distinta e discreta, que sempre deu o melhor de si, com aquela doce resignação de quem nunca espera nada em troca.

Do alto de seus setenta anos, estava magra e carregava um saco de remédios de amostra grátis.

Diante dela, meu relógio parou e o tempo se encolheu.

Sem esforço, comecei a lhe ouvir e observar.

Quanto mais falava dos netos e da vida dura que levava com o marido inválido, menos eu me sentia encorajada a seguir ao encontro do resto de meu dia.

Seus olhos cansados, estavam cheios de indignação e de dor.

Ao perceber meu interesse genuíno por sua vida e suas desventuras, seus olhos embotaram, e percebi que controlava o pranto.

A conversa evoluiu, embalada por amenidades e sorrisos que foram surgindo timidamente, até retumbarem em uma risada gostosa que lhe fez ajeitar as rugas ao redor dos lábios.

Em cerca de quinze minutos nos despedimos e ela estava sorrindo.

Me prometeu que não iria se abalar nem com a política, que em nada interferia em sua vida, muito menos com o marido, que estava na mesma situação há mais de 15 anos.

Segui meu dia com a sensação de que aqueles 15 minutos não haviam mudado em nada o meu dia, mas haviam tido algum significado para ela.

O significado de ver uma lágrima se transformar em sorriso, e de ver o tempo cumprir o papel mais precioso ele pode desempenhar: ser dado a alguém.

Enquanto seguia minha manhã, embalada pelo suave pânico causado pelo dingo bell do natal que se aproxima, e pelo compromisso de escrever sobre o mês de dezembro, percebi que havia ganhado um presente.

Dona Leila não precisava de ajuda, nem tão pouco sua vida iria mudar com qualquer coisa que eu pudesse ter lhe dito, ou feito por ela.

Tudo que ela precisava, era encontrar alguém que trouxesse seu sorriso de volta no meio de tantas durezas.

Isso me custou apenas quinze minutos.

Acho que isso é o verdadeiro Natal.

Olhar o outro e dar a ele algo que não nos custa nada, mas que tem um imenso valor para quem recebe.

Feliz Natal!



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *