O preço do afeto e a terceirização dos filhos

Me intrigam certas pessoas que tem filhos pequenos, estão sempre arrumadas, se fazem presentes pontualmente a todos os compromissos sociais, e ainda tem aquela cara de felicidade que só oito horas de sono podem propiciar.

Acho mesmo que tem gente com algum tipo de habilidade pra esses manejos com crianças pequenas.

No meu caso, quando meus filhos tinham menos de um ano, eu vivia amassada, atrasada e muitas vezes com aquela cara meio esverdeada, típica de noites sem dormir.

O preço do Afeto

O preço do Afeto

Tenho uma amiga que tem gêmeas de um ano, que brinco serem “crianças de revista”, pois ja a vi na companhia das meninas, desfrutando calmamente de um café no final da refeição, num animado restaurante, enquanto as pequenas permaneciam lindinhas, entretidas com colheres.

Ela era capaz desta proeza mesmo sem nenhuma babá, enquanto eu, nas mesmas condições, estaria exausta, exaurida, descabelada, com o café derramado, e talvez chegasse ao final da refeição com uma criança a menos, ante o alto risco de ter extraviado uma.

Mas não falo destas habilidades, falo de algo que há por trás desta mágica que alguns pais fazem.

Falo do triste fenômeno da terceirização dos filhos pequenos.

Já ouviu falar daqueles bebês limpinhos, com fraldas sempre sequinhas, que quando se chateiam e começam a se contorcer no colo dos pais, num passe de mágica, são levados por uma mulher a lugares misteriosos que ninguém sabe onde é?

Essas mulheres são as babás, que em muitas vezes assumem o precioso lugar da pessoa que mais convive com a criança.

O ritmo moderno, impõe que os pais desenvolvam atividades de trabalho, e dependam de auxílio no cuidado dos filhos.

Ter alguém para auxiliar os pais é sempre bem vindo, porém, terceirizar os filhos, é uma escolha perigosa de reflexos muito significativos e alarmantes para o desenvolvimento emocional das crianças.

O limiar entre auxílio e a terceirização dos filhos, as vezes é muito tênue, e resulta em pais ocupados demais com o trabalho, que transferem importantes funções a terceiros, estranhos aos vínculos familiares.

A convivência das crianças com essas babás é tão estreita, que algumas chegam a adoecer quando elas saem de férias.

O estabelecimento de vínculos afetivos se dá através da estreita convivência com a criança. É no cuidar, no acariciar, no dar banho, e na conversa “fiada” que surgem os momentos mais importantes para que a criança dê vazão a todas as suas dúvidas e sinta-se segura para demonstrar suas fragilidades.

Não é novidade que a falta de afeto na infância causa problemas graves para o indivíduo no mundo adulto, tanto, que alguns países investem na licença maternidade por um período de até dois anos.

O investimento na qualidade de vida afetiva da infância de seu filho é o melhor legado que você poderá deixar a ele, pois o preço da falta de afeto é alto demais na vida adulta.

Ariadne Cantú

 



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